Na tarde quieta
de chuva e pensamento
meu jardim descansa
dentro e fora de mim.
Uma certa canção
feita do outro lado do oceano
gera inspiração aonde é tocada.
Beleza
Movimento
Liberdade
Pensamento
Tudo cabe
Dentro e fora do tempo.
Os séculos passam
O homem permanece
perseguindo versos
que traduzam
a verdade profunda e simples de sua existência.
Este blog é fruto de um antigo sonho. De certa forma, ele já existia, antes de existir. Cuidar da poesia é trabalho que me foi delegado, como meu existir. Trabalho além da profissão, em tudo o que se fizer. Poesia além dos livros, na vida. Poemas, fotografias, crônicas, revelações. Alegria de escrever, expressar, compartilhar o que a vida tem de verdadeiro valor. Este blog é pra você. Mais do que nunca, o mundo precisa de poesia. Quer me ajudar a plantar?
segunda-feira, 7 de março de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A Teoria do visitante estrangeiro x o habitante local
Tenho uma teoria sobre o comportamento do visitante estrangeiro, versus o do habitante local. Me explico.
Já reparou que os japoneses, povo considerado o que mais trabalha no mundo, tira apenas uma semana de férias por ano e, neste curto tempo, consegue visitar toda a Europa, conhecer o Brasil, ou quem sabe até dar a volta ao mundo?
É bem verdade que são “férias de japonês”, algo assim, como uma “visita de médico”, só que com relação a viagens. Eles, com a mais moderna tecnologia em mãos, registram cada minuto do passeio para, uma vez de volta à casa, apreciar todos os lugares por onde passaram. Vêem, então, o filme da própria vida, em tempo real pois, ao vivo, não tiveram tempo de viver com calma. Paradoxo dos paradoxos.
Nossa saudosa Tia Isaura, que viveu prodigiosos 99 anos, e viajou o mundo todo, dizia, quando perguntada porquê não tirava uma foto sequer de suas viagens: - “Bobagem, o tempo que eu tenho para ver com meus próprios olhos, vou gastar olhando por trás de uma câmera?” Argumento legítimo e incontestável, mesmo para os amantes da fotografia. Bem, o dilema entre viver e registrar a vida é tema para outro texto .
Mas, voltando à “vaca fria”: esta teoria bem poderia ser patenteada, antes que seja comprovada cientificamente ou vire tese de Doutorado. Fruto de anos de observação, demonstra o seguinte: todo viajante tem a sina de querer conhecer o máximo de ícones do turismo, no mínimo de tempo. Permanecer em cidades estrangeiras em geral é caro, portanto, o viajante precisa dizer a que veio. Por exemplo: mesmo que você não se considere um turista, e se veja mais como um cidadão do mundo, mesmo que seja um viajante pouco tradicional, “cool”, alternativo, ou até sofisticado, tem certos programinhas que você não vai deixar de fazer: se for à Paris, vai subir na Torre Eiffel, andar de Bateau Mouche no Sena, tomar sorvete na Ile de La Cité. Se for gringo visitando o Rio, tem que ir ao Pão de Açucar, procurar a garota de Ipanema e fazer fotos no Cristo Redentor. Senão, afinal, como reza a lenda, é como se não tivesse ido lá. Quando você for postar na internet uma foto daquela maravilhosa viagem à Patagônia, tem que ter as geleiras ao fundo, ou ninguém vai acreditar que você, de fato, foi lá, certo?
Pois muito bem. Por outro lado, já reparou que os moradores destas mesmas cidades, muitas vezes nasceram ou vivem nelas há décadas, e nunca visitaram tais monumentos? Quantos cariocas nunca subiram ao Pão de Açucar, nova iorquinos nunca foram ao MOMA, parisienses só foram à Torre Eiffel quando crianças, barceloneses não conhecem o Parque Güell (parque o quê?), belo-horizontinos nunca foram à Praça da Liberdade ou ao Mercado Central.
É que quando a gente mora num lugar, acha que tem a vida inteira pra fazer tais programas, e acaba não fazendo nada. Ouro Preto está ali desde o século XVIII, tão pertinho, pra que se preocupar? Ela lá, eu cá. Fim de semana, a gente fica cansada da correria, e é melhor não inventar moda. Fora os compromissos familiares e sociais, dos quais não dá pra escapar; se sobrar um tempinho pra um cochilo depois do almoço, em casa mesmo, já está bom demais.
Meu pai sempre fala que existe a vontade física e a mental. Na maioria das vezes, as duas são opostas, e é mais fácil imaginar-se em algum lugar que ir parar lá de verdade. Tem gente que aprende viajando o mundo, tem gente que sabe tudo sem sair do lugar.
Bem, ao longo dos anos já vi minha teoria se comprovar várias vezes, mas em uma viagem recente vivi uma situação que foi, além de tudo, bastante pitoresca.
Quem guia no dia-a-dia, não conhece o destino que ensina; quem vem do outro lado do mar, num só dia conhece o mundo.
Quem guia no dia-a-dia, não conhece o destino que ensina; quem vem do outro lado do mar, num só dia conhece o mundo.
Domingo. Férias de verão em Londres. A família toda resolve visitar o British Museum. Um programa gratuito e imperdível, tanto para crianças como para adultos. Após um rápido exame do mapa do metrô, escolhem o trajeto mais curto e partem em direção à estação de Tottenham Court Road. Lá chegando, a família se depara com as diversas e labirínticas saídas do underground, e, enquanto procuram a melhor delas, eis que se aproxima um simpático senhor, devidamente paramentado, funcionário do metrô de Londres. Muito trivial para os ingleses, para nós, como que saído de um filme. Para enorme surpresa dos visitantes, ele, interpretando a situação do alto de seus cabelos brancos, se aproxima e oferece, espontaneamente, ajuda, “with a very british accent.”
Com ajuda da tecla sap, passo a narrar o diálogo que se segue:
- Indo para o British Museum? – pergunta.
- Sim. – respondem, surpresos com a amabilidade gratuita, esta, hoje, espécie em extinção em todo o mundo .
Ele estende a mão, oferecendo um mapa do bairro e rapidamente explica:
- Saiam em frente, primeira à direita, segunda à esquerda, no segundo quarteirão.
Querendo perpetuar o diálogo, perguntam, em meio ao turbilhão de turistas:
- Quantas pessoas já passaram indo ao Museu hoje?
Ele, com o típico bom-humor e espirituosidade inglesas:
- Três, trinta, trezentos, três mil !
- E o senhor, não vai também ao Museu?
- Já fui .... Há cinqüenta anos!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Querida vovó Dina,
Já é madrugada e eu te escrevo esta carta. Você está perto de mim, mas talvez não possa lê-la ou escutá-la integralmente. Mesmo assim, eu quero te contar uma história:
Era uma vez uma mulher corajosa. Antes, ela foi menina.
Nasceu na fazenda do Jacuí e, mais tarde, mudou-se para Sete Lagoas, com a mãe e as irmãs mais velhas, Maria, Sinhá e Isaura.
As lições de piano e os pequenos concertos no cinema mudo de Sete Lagoas muito lhe ensinaram; ela passou nas provas do Conservatório e veio estudar música em Belo Horizonte. No início dos anos 30, formou a primeira orquestra de moças da cidade.
Vó Damatta, sua mãe, não te perdia de vista, te acompanhando nas aulas em Belo Horizonte, o que não impediu você de se apaixonar por aquele rapaz alto e galante, nosso vovô Miguel. Como você mesmo dizia: “Naquela época, ele era muito bonito e alinhado, não era este homem feio de hoje, não.”
Bem, a vida de casada prosseguiu, com muitas lutas e conquistas. Do seu ventre logo surgiram frutos e, deles, uma família.
Sempre se desdobrando, cuidando da casa e dando aulas de música, você passou pela dor irreparável de perder três dos cinco filhos. Quanto mais o tempo passou, mais acesa esta lembrança se tornou. Você mesma dizia: “A gente passa por essa dor, mas nunca mais é a mesma”. Só seu coração de mãe (e o de Deus) é que o sabem.
No entanto, alguns ramos deram prósperos frutos, e sua descendência se multiplicou. Se se conhece a árvore pelos frutos, aí estão: Vania e Fernando, seus filhos, exemplo de lealdade e caráter. Sua nora, genro, seus netos e bisnetos, todos forjados ou influenciados por sua doçura, valores humanos e determinação; por seu senso de justiça e amor real ao próximo; por sua permanente disposição em se doar e cultivar sólidos relacionamentos, alicerçados na rocha que é o Senhor Jesus.
Vó, você é um exemplo de mulher virtuosa (como a de Provérbios 31), dedicada, amorosa e fiel.
Você me ensinou, ainda criança, os primeiros salmos e, de joelhos, orava todas as noites comigo e com o Paulo, nas longas férias de verão na praia. É mistério a dimensão e o resultado das suas orações: poder em ação. Aqui estamos nós, mais de trinta anos depois, inteiramente tomados pelo amor ágape de Deus na pessoa de Cristo, a quem aprendo a amar e conhecer mais e mais, a cada dia.
Das lembranças, não sei por onde começar: se pelo “enorme” apartamento da rua Espírito Santo, com som de centro de cidade, sombras e luzes em movimento, entrando pela fresta da veneziana, fazendo um maravilhoso cinema no teto, pra gente dormir.
Se pelo cheiro de rosca-bolo assando na cozinha da casa da praia. Ou pelos passeios, por ruas de terra, com toda a família, sob um céu divinamente estrelado. Se pelos banhos de caneco e noites à luz de liquinho. Ou pelas tardes, deitados com você e o vovô, contando histórias e rindo, escondendo da vizinha, que chamava sem parar.
Na sua casa, você tocando “Fascinação” e outras peças, lindamente, ao piano. Se pelas músicas que você nos ensinava; pelos presentes que você e o vovô traziam de longe; pela espera amorosa de nossos pais, preparando delícias para sua chegada, quando eles viajavam e vocês ficavam cuidando de nós.
Se pelas aventuras inesquecíveis das viagens que mais tarde fizemos juntas. Sozinhas na Espanha, um incêndio na Áustria, quase presas na Suíça, passeando por Istambul. Em Israel, nossa maior emoção, confirmação, e um divisor de águas. Já faz tanto tempo... e tudo é tão vivo e real!
Nos aniversários, você sempre dizia que não queria ganhar nada: mas nada como conhecer o coração de uma avó: você sempre amou lenços, perfumes e coisas delicadas, além de flores e passarinhos. Aliás, com você aprendi a amar tudo o que é delicado. Sua cristaleira, um capítulo à parte, me fascinava desde muito pequena: caixinhas de música, e quantas porcelanas finas.
Mas, mesmo conhecendo o mundo todo e sendo uma mulher vivida, você sempre guardou a simplicidade. Seu coração nunca esteve plantado nos valores do mundo e, sim, nas coisas de Deus.
Há pouco tempo você me disse, com firmeza e serenidade, que não tinha medo da morte. Te perguntei como você imaginava a vida eterna e você prontamente respondeu: “Acho que estaremos como aqui, lado a lado, mas sem diferenças. E todos estarão no mesmo espírito, adorando a Deus.”
Para quem tem a salvação, a separação é temporária.
Finalmente, fico imaginando como você vai entrar na presença do Pai: imagino um grande baile, e você, linda e jovem, vestida de gala, sendo tomada pela mão pelo Senhor.
Vó, lá não há peso, nem dor, nem preocupação, e sim, a Paz. Eu creio, e posso imaginar. Mas pra nós tudo é mistério. Não mais pra você.
Um beijo da sua neta,
Ana
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
PALAVRA
Não escrevo para agradar,
nem para defender princípios.
Palavras jorram,
pedindo rio,
virando mar.
Vem do alto, e de dentro, brotam.
Como água surgindo de abissal lençol,
ou inseto subterrâneo,
que luta para vir à luz e se tornar em canto e vôo.
Não crio água,
quiçá seja terra;
que filtra, dá passagem, sabor, som e luz.
Não crio palavras,
Sou coração, mente e boca,
de onde saem rios em direção aos quatro pontos cardeais.
Depois de mim
a palavra - água e semente,
precisa cair em terra boa,
para então brotar, criar vida e dar bons frutos
eternamente.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Meu cachorro de consumo
Pedro chegou da casa do seu melhor amigo todo animado, e com um discurso bem elaborado:
- "Mãe, a Capitu, cadela do João, vai ter filhotes. E a mãe dele quer dar todos os filhotes. A Capitu é muito mansa, ela nem late, mãe, e os filhotes são muito bonitinhos e obedientes. Quando crescem, não ficam muito grandes, não. Eu já sei até onde ele pode dormir: no tapete do meu quarto! Por favor, mãe, deixa eu ficar com um filhote!
A mãe, perseverando na paciência de explicar, mesmo sabendo que 'não' seria a resposta final:
- Meu filho, cachorro dá muito trabalho. Quem vai cuidar, dar comida, levar pra vacinar, limpar o cocô? E quando a gente for viajar, quem vai cuidar dele?
- O vizinho, mãe!
- Que vizinho, meu filho?
- Este aqui do lado!
-Imagina!
O menino, já quase sem argumento, olha pra mãe com as mãozinhas juntas, em sinal de piedade:
- Por favor, mamãe, este sempre foi meu sonho de cachorro de consumo!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A descoberta do caderno
Ana Pimentel Romano
Hoje, pela primeira vez, li o caderno de receitas de minha avó. Sempre experimentei suas receitas mas nunca, até poucas semanas atrás, havia sequer visto este famoso caderno.
Ao lê-lo, fiz várias descobertas. Primeiro, percebi que os singelos e deliciosos pratos que fazem parte da minha história e da de minha família permaneceram, por algum motivo, em evidência, por décadas, em detrimento de outras tantas receitas que figuram no caderno. Por que o pavê de chocolate, a “fatia”, a Rosca-bolo, o Charlotte, os pastéis, o biscoito frito, o souflê de chuchu e até o lendário “Rex Tics” (sobremesa feita com gelatina e guaraná e assim batizada por mim e meu irmão na infância), se tornaram tão simbólicos da casa da vovó Dina; enquanto tantas outras receitas de seu caderno parecem nunca terem sido sequer feitas?
Talvez pelo mesmo motivo que uma palavra vinda do latim permanece viva na língua francesa, por exemplo, mas em outro idioma, de mesma origem, como a língua portuguesa, se torna erudita, literária, ou em alguns casos até cai em desuso.
Na evolução das coisas, no tempo, certos hábitos, modas e descobertas perduram, outros não. O café, cultivado em regiões tropicais, e originalmente consumido no Oriente Médio, se tornou hábito vernacular em praticamente todos os países do mundo. O chocolate, já conhecido pelos astecas, foi experimentado por Colombo em 1502, e então difundido pelos colonizadores espanhóis para o mundo. Já a mandioca, o feijão, e tantos outros frutos de nossa variada safra tropical, não são conhecidos ou encontrados em países do hemisfério norte.
Bem, não posso explicar o porquê de toda a história, mas posso dizer que, ao menos no caso do livro de receitas, esta foi uma história construída, pouco a pouco e literalmente, a muitas mãos.
Bem, não posso explicar o porquê de toda a história, mas posso dizer que, ao menos no caso do livro de receitas, esta foi uma história construída, pouco a pouco e literalmente, a muitas mãos.
Havia uma propaganda de biscoitos que dizia, há anos atrás: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?” Da mesma forma, pergunto: o pavê de chocolate se tornou predileto por ser a sobremesa preparada com mais freqüência para os almoços de domingo, ou era protagonista destes cardápios por ser o predileto? Não sei ao certo, o fato é que o que tornou estes pratos tão apreciados foi uma história de comunhão entre avós, filhos, netos, e amigos, ao longo de muitas décadas.
Como esquecer do meu avô, já bem velhinho, preparando sua sobremesa de dias especiais, salada de frutas com sorvete, taça por taça, no maior capricho? Na verdade, foi ele quem sempre cozinhou na casa, pois minha avó era pianista, mais afeita às artes que à cozinha. Ele, autodidata em tudo, aprendeu sozinho de idiomas à construção de casas: era um fazedor.
O caderno não tem data. Nem de início nem de fim. Pelo vocabulário, percebo que foi inaugurado em meados dos anos 1950, na época em que o leite era entregue de porta em porta em garrafas de vidro e que, nas receitas, serviam também como medida. Há também outras curiosas medidas, como “um pires de açúcar” ou farinha.
A caligrafia de minha avó, que era também professora, é linda, tão antiga quanto as páginas amareladas e respingadas de cozinha, esperando que alguém as descubra hoje e as torne vivas novamente.
Os doces testificam uma culinária bem brasileira, de uma época em que ninguém se preocupava com os “assucares”, nem com o colesterol.
As amizades e relacionamentos da minha avó estão também bem estampadas nas receitas. Reconheço nomes de suas amigas e parentes, e de lugares que ela conheceu. Fico imaginando o tempo em que as pessoas tinham tempo, se visitavam, preparavam o lanche em casa, e em meio a confidências, trocavam também receitas.
Como boa mineira, vovó Dina tinha em seu caderno oito receitas diferentes de pão de queijo nomeadas, junto ao título, segundo o nome ou procedência do fornecedor, ou pela qualidade do produto. “Sinhá”, “ótimo”, e “Morro do Ferro”, são alguns dos sub-títulos que acompanham este capítulo tão mineiro. Para saber qual o melhor, só fazendo um concurso culinário, “cazeiro”, com ‘z’ mesmo, e resgatar o sabor do pão de queijo original, anterior à era do pão-de-queijo congelado.
As andanças da autora para dentro e fora do Brasil também são perceptíveis nas entrelinhas do caderno. De Sete Lagoas a Portugal, da invenção do brigadeiro, inspirado no Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato à presidência em 1945, na primeira eleição após a ditadura Vargas, a pratos portugueses e ao ‘moderno’ pão integral, na década de 1970, tudo tem sua página de honra.
Na verdade, o caderno de receitas não tem mistério nenhum. Mas os encontros, histórias, aromas e sabores que ele evoca, torna este velho livro de notas uma das mais importantes heranças de minha avó que, espero, meus filhos, tão entusiastas de experiências gastronômicas, saibam e possam, além de apreciar, deixar como legado às futuras gerações.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
MISTÉRIO
A alma, infinita e vertical.
Como o azul do céu de brigadeiro que me cobre,
a cidade,
ruído e ruína,
borbulha.
Dentro e fora de mim
reina o mistério.
Calo,
silêncio profundo.
Respeito, reverência e humildade,
diante da vida.
Não quero leme,
nem dou norte.
Apenas contemplo estrelas.
Prossigo, coração elevado e reto,
entrego a bússola aos céus.
Quero ser carregada pelo mistério.
Como albatroz ultramar,
no caminho invisível do ar,
confio.
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